FAZENDO POLÍTICA, TARCÍSIO ROSA MENTE E ATACA QUEM DEFENDE OS TRABALHADORES E A EMPRESA PÚBLICA
Na última semana, os sindicatos da Intercel começaram uma ação em defesa dos trabalhadores, apontando as responsabilidades da Diretoria e do Governador nos problemas da implantação do Sistema Conecte e no atendimento à população. Rapidamente, um discurso foi formado de que a ação dos sindicatos estaria colocando a sociedade contra os trabalhadores e contra a empresa, contribuindo para a privatização. Que era a “politização” do problema. É importante pensarmos isso. O problema, mais do que tudo, é político. Mas não no contexto que estão tentando vender.
Uma das coisas que estão dizendo é que ao chamar a responsabilidade do Governador do Estado as entidades sindicais estariam chamando sua atenção para encaminhar a privatização da Celesc. O Governo do Estado é acionista majoritário da Celesc, ou seja, responsável pela Administração da empresa. E se o Governo não enxerga que a Administração que ele mesmo indicou tem precarizado condições de trabalho e, consequentemente, o atendimento ao povo, alguém precisa fazer. É irracional (e desonesto) querer imputar aos sindicatos uma possível privatização que vem sendo, passo a passo, conduzida pela Diretoria através do sucateamento da empresa.
Mas falando em desonestidade, é preciso trazer à tona o discurso de que os sindicatos estariam colocando a população contra os trabalhadores ao responsabilizarem o Presidente Tarcísio Rosa e o Governador Jorginho Mello. O próprio Tarcísio tem se encarregado de tentar culpar os sindicatos pelas críticas que a Celesc tem sofrido. Em um vídeo sofrível, abusando de arrogância, Tarcísio afirma que “não achou correto a Intercel colocar a população contra os empregados”.
O malabarismo para culpar a Intercel é vergonhoso. As faixas colocadas pelos sindicatos já começam com “Queremos atender bem”, demonstrando a defesa dos trabalhadores, e termina responsabilizando Tarcísio e o Governador. A lógica é simples: Tarcísio é o responsável por uma Diretoria omissa, que tem minimizado o impacto sobre a saúde e segurança dos trabalhadores e sobre o atendimento à população, manchando a imagem da Celesc. É o responsável, também, pela situação agravada, já que trabalha contra a recomposição do quadro de pessoal e pela terceirização.
Já Jorginho Mello é responsável porque indicou essa Diretoria, que tem encaminhado um projeto que vai na contramão das promessas que fez aos celesquianos.
O interessante é que a crítica ao Presidente e ao Governador tiveram uma resposta rápida que até então não existia. A Diretoria foi rápida em determinar que os cartazes fossem retirados. O Governo do Estado, até então sumido, fez vídeo falando sobre a troca do sistema e orientando a população a evitar as lojas. Tarcísio saiu da toca, deixou de lado os badalados eventos de autopromoção no setor elétrico, lembrou que a empresa a qual é Presidente passa por uma turbulência e veio dar explicações. Infelizmente, a arrogância fez com que ao invés de pedir desculpas aos trabalhadores e ao povo catarinense, decidisse atacar os sindicatos. Ou seja, o Presidente foi rápido para a coisa errada.
MAS E A POLÍTICA?
A privatização é um processo político. Não é técnico, não é estratégico, nem financeiro. É político. Se não fosse, não veríamos estatais lucrativas e com alto índice de aprovação, como a Copel, serem privatizadas. Para privatizar uma empresa pública, basta um governo que queira e uma diretoria disposta a destruir a imagem da estatal. Isso é política.
Quando o presidente da Celesc afirma, a um jornal de grande circulação como o Valor econômico, que a privatização deve sempre estar no horizonte em caso de queda de qualidade do serviço estatal, ele está fazendo política. É uma política contra os trabalhadores, contra a Celesc Pública, contra a sociedade catarinense e contra os compromissos assumidos pelo Governador Jorginho Mello. E mesmo indo no caminho contrário das promessas, é responsabilidade do Governador.
Nas redes da Celesc é possívelver os impactos da imagem da empresa. Não há uma publicação recente no Instagram oficial da companhia que não tenha uma enxurrada de críticas, arranhando a imagem da empresa, construída pelo trabalho de excelência dos celesquianos ao longo dos anos. Nas principais redes sociais, vemos trabalhadores denunciando a sobrecarga de trabalho e implorando que a Diretoria “olhe para os trabalhadores”.
Noam Chomsky e Edward Herman detalham em seu livro “Consenso Fabricado” como as estruturas de mídias funcionam para fabricar um consenso que controle o povo em favor das elites. Eles listam 5 filtros desta máquina de propaganda, sendo que o penúltimo deles de aplica muito bem às táticas da Diretoria neste caso. Quando alguma surge alguma história inconveniente, as fontes são sempre desacreditadas. É uma forma de censura implícita, na qual o desejo de verdade é absolutamente ignorado vis-à-vis o bem-estar dos implicados na estória, dizem os autores. Foi surgir em cartazes pelo estado o nome do Presidente, para que ele surja em vídeo, atacando a Intercel, dizendo que ela é que põe a sociedade contra a empresa, e não os erros e devaneios de sua gestão.
Em suma, a Intercel não está politizando a situação do Conecte. A Intercel está defendendo os trabalhadores, buscando as soluções que a Diretoria ignora, tentando garantir condições dignas de trabalho, e a manutenção do atendimento de qualidade e da empresa pública. Essa é uma política constante dos sindicatos majoritários. Já a situação do Conecte, seus impactos sobre a sociedade e sobre os trabalhadores é que são parte da política privatista e irresponsável da Diretoria da Celesc, capitaneada pelas mentiras do Presidente, Tarcísio Rosa. E como mente.




Quando o presidente da Celesc afirma, a um jornal de grande circulação como o Valor Econômico, que a privatização deve sempre estar no horizonte em caso de queda de qualidade do serviço estatal, ele está fazendo política. É uma política contra os trabalhadores, contra a Celesc Pública, contra a sociedade catarinense e contra os compromissos assumidos pelo Governador Jorginho Mello.


