ATO FALHO? ESQUECIMENTO?

DIRETORIA DA CELESC NÃO RESPONDE JORNALISTA SOBRE TERCEIRIZAÇÕES NA EMPRESA

Na quarta-feira, 22 de maio, o jornalista Marcelo Lula, do portal SC Em Pauta, noticiou que uma fonte teria revelado que “só um milagre tira a Celesc de uma greve dos servidores”. Dentre os motivos para o movimento, Lula cita a “insatisfação com a presidência da Companhia”, a “política de terceirizações”, a defasagem de pessoal, com “desligamentos programados por Plano de Demissão Incentivada” e a falta de contratação de pessoal próprio, que pode resultar em precarização dos serviços – e especialmente caso um ciclone ou excesso de chuvas ocorra em Santa Catarina – e o “excesso de ideologia na gestão da Celesc”.

Na nota, a fonte alega que o “presidente [da Celesc] atribui as críticas aos ‘sindicatos comunistas’”, que “uma hora vão estourar inúmeros problemas” e que há, entre os celesquianos, a “certeza de que a privatização é um desejo do governador Jorginho Mello (PL), se conseguir um segundo mandato”.

A Intercel desconhece a fonte consultada pelo jornalista, mas o texto faz um retrato fiel das principais preocupações da categoria e circulou pela rádio peão, ganhando repercussão a ponto de a Direção da Celesc enviar uma resposta, publicada pelo colunista na edição de 23 de maio.

A resposta foi feita nos seguintes termos: “A Diretoria da Celesc informa que tem mantido diálogo frequente com todas as entidades sindicais e que nunca deixou de receber qualquer dirigente. Inclusive, promoveu recentemente uma ampla reunião no auditório entre todos os diretores da companhia, todos os dirigentes sindicais e muitos empregados para ouvir as demandas. Desde o início da gestão, a diretoria tem trabalhado para atender as demandas dos empregados: criação de plano de saúde mais acessível, novo sistema de viagens, levando mais conforto para os empregados, com hotéis melhores e, recentemente, anunciou o aumento do valor da diária, entre outras ações. A Celesc também reforça que está preparada para enfrentar qualquer evento climático com equipes suficientes e altamente qualificadas. A empresa é, inclusive, reconhecida nacionalmente por seu trabalho e pelo pronto restabelecimento da rede elétrica após eventos climáticos severos. Por fim, a companhia ressalta que tem pautado suas ações pelo crescimento e melhoria do atendimento, com a expansão de sua rede. Sempre buscando a eficiência e a sustentabilidade da empresa”.

A nota tem “verdades parciais” e a categoria é testemunha disso. É fato que a Diretoria da Celesc recebeu recentemente trabalhadores no auditório da Administração Central para ouvir demandas exclusivamente relativas às diárias de viagens.

Mas a nota omite que essa reunião com o presidente ocorreu somente mais de um ano após o início das tratativas do problema das diárias – depois de os sindicatos cobrarem solução em muitas reuniões, em boletins e notas no jornal Linha Viva. Pior: a reunião com o presidente só ocorreu porque os empregados, que estavam fazendo um ato de recusa das viagens, se reuniram e foram em grande número cobrar na porta da presidência uma solução para o problema criado pela própria Diretoria há mais de um ano. Além disso, a nota também omite que os celesquianos têm outras demandas represadas junto à Diretoria da companhia, como a ausência de resposta da empresa sobre um recurso da PLR 2023 ingressado no início de abril ou a lentidão com que os Grupos de Trabalho “avançam” na empresa – numa clara indicação de embarrigar tudo sobre os interesses diretos dos celesquianos.

Mas o fato que mais chama a atenção na nota não foi ‘o dito’ pela Direção da Celesc, mas tudo que não foi dito. Na Comunicação, existe um campo chamado “Análise de Discurso”, que se dedica a estudar as construções ideológicas de um texto. Por essa teoria, muitas vezes, aquilo que não é dito tem mais valor ou “fala mais” do que aquilo que está no texto. E um ponto grita muito na resposta da Direção da Celesc: a nota ao colunista afirma que a Diretoria tem mantido o diálogo constante, que
tem atendido aos trabalhadores e que é reconhecida pelos bons serviços prestados à população catarinense, mas nada fala sobre o processo de desmonte da empresa, as terceirizações e a falta de contratações – tudo que preocupa a categoria e que foi o mote da nota publicada pelo colunista em 22 de maio.

Essa ausência na resposta da Diretoria tem explicação: o presidente, Tarcísio Rosa, com histórico de privatização no currículo, tem atuado como se estivesse preparando a Celesc para a privatização. Redução de quadro de pessoal, terceirizações em massa de diversas atividades, enfrentamento e criação de barreiras para que dirigentes sindicais possam organizar a categoria e fazer a luta pela manutenção da empresa pública e dos serviços de qualidade são exemplos na sua administração. A precarização dos serviços também começa a aparecer sob o comando de Tarcísio. Prova disso é que no Prêmio ANEEL de Qualidade, a Celesc caiu da terceira para a quinta colocação em apenas um ano de sua gestão.

Além disso, a forma atabalhoada com que foi feita a mudança do sistema SIGA para o SAP-HANNA, sem uma efetiva campanha de comunicação prévia para a população, deve prejudicar ainda mais a imagem da empresa. Somente após a intervenção de sindicatos e trabalhadores a Celesc começou a olhar para o problema com atenção.

Por fim, tomara que Santa Catarina não passe por uma nova catástrofe climática, como ciclones, furacões ou chuvas em excesso, como ocorreu diversas vezes em seu território. Pois, se isso ocorrer, ao contrário do que se viu em fenômenos climáticos anteriores – quando a Celesc agiu de forma rápida para recomposição do sistema elétrico -, a falta de pessoal na ponta pode criar embaraços e dificuldades que comprometam a imagem da empresa.

A novela Celesc parece ter um roteiro bem montado e já conhecido de outros folhetins: não contrata empregados próprios, terceiriza trabalhadores, dificulta a resistência ao desmonte da companhia, precariza os serviços e deixa a população desassistida.

No final, a população reclama dos péssimos serviços e o governo de plantão responde que a única saída é a privatização.

Novela velha, repetida em outros estados à exaustão, em diversos setores estratégicos. Novela semelhante está sendo apresentada na Casan nesse momento.

Cabe ao governador Jorginho Mello provar que realmente não é esse o final que escreveu para a Celesc e que cumprirá com o compromisso firmado com celesquianas e celesquianos durante a campanha eleitoral de 2022, em que se dispôs a fortalecer e mantê-la como empresa pública.

Aos Diretores e à Diretora que são empregados da casa, cabe atuarem para não se tornarem vilões desse folhetim de mau gosto. É necessário que todos se posicionem e trabalhem para que a Celesc tenha força de trabalho suficiente para enfrentar qualquer situação adversa.

Aos empregados, fica o alerta para que participem das concentrações dos sindicatos da Intercel, acompanhem as notícias e estejam prontos para resistir a qualquer ataque aos seus direitos e à manutenção da Celesc Púbica! Essa luta depende do empenho e da energia de cada trabalhador e cada trabalhadora!

Juntos somos Fortes! Celesc Pública: bom pra todo mundo!

Essa ausência na resposta da Diretoria da empresa tem explicação: o presidente, Tarcísio Rosa, com histórico de privatização no currículo, tem atuado como se estivesse preparando a Celesc para a privatização.

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