PLR da Diretoria: no apagar das luzes, diretoria tenta garantir pagamento de mais uma imoral participação nos lucros e resultados

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O debate sobre a imoralidade do montante pago de Participação nos Lucros e Resultados PLR) à Diretoria da Celesc tomou boa parte do já conturbado ano de 2020. A possibilidade da PLR da Diretoria atingir até 6 remunerações sempre foi combatida pelos sindicatos da Intercel e pela representação dos empregados no Conselho de Administração, que tanto nas assembleias de acionistas quanto nas reuniões do Conselho registraram votos contrários ao montante.

Em meio à pandemia e diante dos estragos do ciclone bomba, o pagamento de, aproximadamente, um quarto de milhão de reais despertou críticas da sociedade à empresa. Para justificar a imoralidade, a Diretoria divulgou informações erradas à imprensa, tentando ligar a PLR dos trabalhadores e distorcendo a realidade.

O próprio Presidente da Celesc, Cleicio Poleto Martins, em sua lamentável manifestação na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (ALESC), quando questionado sobre a PLR, tentou desviar a atenção e trazer para o debate a PLR dos trabalhadores.

Além disso, após grande repúdio da sociedade e ampla divulgação da mídia catarinense, uma “carta anônima” apareceu na ALESC, atacando os trabalhadores e suas representações. Com informações mentirosas e dados que não são públicos – o que evidencia um ataque aos empregados vindo de dentro da própria empresa -, a carta pedia a privatização da Celesc.

Agora, pressionados pela possível queda do Governo do Estado no processo de impeachment, os Diretores da Celesc se movimentaram para tentar garantir o pagamento da PLR, revisando as metas estabelecidas no Contrato de Gestão.

A lógica é simples: mudar as regras com o jogo andando, enquanto a composição do Conselho é favorável e, assim, viabilizar o pagamento à atual Diretoria, mesmo que ela seja completamente substituída com a queda do Governador Carlos Moisés.

Segundo relato do Boletim do Conselheiro nº 139, a proposta de revisão já havia sido apresentada em setembro e, por decisão unânime do Conselho, ficou determinado que só seria realizada após o término do exercício. Porém, o Presidente Cleicio Poleto, ausente em setembro, forçou a reinclusão do assunto no Conselho de Administração em outubro.

Esse posicionamento é um desrespeito ao Conselho de Administração e, pior, configura flagrante conflito de interesses na discussão do assunto, uma vez que o Presidente é parte interessada nessa discussão e não deveria participar desse debate por estar claramente legislando em benefício próprio.

O tema foi retirado de pauta e retornará ao debate em uma reunião extraordinária no dia 22/10, um dia antes da votação do Tribunal Especial de Julgamento que pode determinar o afastamento do Governador e da Vice-Governadora. A clara manobra que busca garantir a PLR da Diretoria antes da queda do Governo já foi divulgada na mídia catarinense.

Em matéria publicada no site SC em Pauta, o jornalista Marcelo Lula critica o golpe: “Martins e os demais diretores indicados pelo Governo tiveram a ideia de alterar o Contrato de Gestão, considerando todos os eventos relacionados à pandemia como não recorrentes. Caso aprovado antes do afastamento de Moisés e Daniela, estará assegurado o recebimento de uma nova PLR milionária no próximo ano, mesmo com a provável exoneração do presidente e demais membros da diretoria”.

No registro do Presidente na ATA da reunião do Conselho há uma clara tentativa de enganar os trabalhadores, ao ligar a alteração automaticamente à uma revisão dos Acordos de Desempenho. O próprio Conselheiro, Leandro Nunes, afirma no Boletim que a vinculação não é automática e que a discussão diz respeito, unicamente, à PLR dos diretores.

A questão principal, aqui, não é o mérito, afinal de contas, a revisão do Contrato de Gestão está dentro da regra e pode ser feita, caso seja admitida pelo Conselho de Administração. A grande imoralidade da proposta da Diretoria é tentar garantir, politicamente, o pagamento da PLR em um cenário que lhe é favorável, mudando a regra do jogo e antecipando um debate que deveria ser realizada só no próximo ano.

Não há justificativa para se alterar a decisão do Conselho de revisão após o término do exercício, a não ser o desejo do Diretor Presidente de garantir uma volumosa PLR antes da queda de Moisés. Ou seja, para quem dizia que seria uma gestão técnica, abusam da política em benefício próprio e, no caminho, ainda prejudicam a imagem da Celesc, uma vez que, dado o cenário político Estadual, o assunto certamente ganhará nova repercussão na imprensa e, via de regra, denuncias no Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina – TCE.

Será que os membros do Conselho de Administração estão preparados para responderem as denuncias e, possivelmente, pagar do próprio bolso a PLR dos Diretores da Celesc?

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